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Lidiane Lima
Formada em Administração com especialização em Marketing, é ex vocalista da Banda Kondendê e amante da música e da Bahia.
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Santíssima Maria da Vitória...Seres cantantes são privilegiados pelo dom divino da alegria, eles surgem de noites enluaradas onde o Senhor esta sempre muito inspirado e cheio de idéias. Numa dessas noites minha mãe sentiu fortes contrações e nasceu mais um ser cantante para alegrar outras vidas inspiradas com esta mesma lua.
Já vi muitas luas nascendo da janela de um ônibus em direção a algum palco montado neste país a fora, também já vi muitas luas dando lugar ao sol ao som da minha voz, isso é experiência que nunca terá preço.
Á vida de um ser cantante é fascinante, pois podemos levar sonhos e sorrisos a corações desamparados, mas é também muito sofrida, pois na solidão do caminho não há quem ampare os nossos próprios corações, a família fica e espera, os amigos ficam e esperam, o amado fica e eu acredito muito que ele também espera!!! (rs)
O alento dessas andanças são as histórias divertidas, o aprendizado e as amizades momentâneas, mas não menos importantes. Numa dessas, conheci uma pessoa especial numa aconchegante cidade chamada Santa Maria da Vitória, que me ensinou a controlar a síndrome do pequeno poder que os seres cantantes adquirem sobre um palco, diante de uma platéia fascinada, onde a tendência a sentir-se Deus é inevitável.
Durante o show, vi um rapaz na frente do palco que me olhava sem parar, enquanto todos pulavam, dançavam, cantavam e até beijavam, ele só me olhava. Aquilo estava me incomodando, qual o motivo deste rapaz não estar gostando do meu show? Muita petulância, todos estão, menos ele, fiz de tudo para ele se mexer, dar um sorriso, bater palmas, enfim... em vão.
Deixei-o de lado, desisti dele, passei a não dar mais importância... Problema dele.
Para minha surpresa, ao final do show, minha produtora disse que havia um rapaz interessado em nos conhecer, disse que podia entrar, esperando dar autógrafos, tirar fotos, distribuir a simpatia peculiar ao artista de pequeno porte que quer muito ser querido por seu público, mas, quem apareceu foi o rapaz apático da frente do palco.
Fiz um “bico” de desagrado, o que ele poderia querer? Dizer que não gostou do show? Não queria ouvir.... Ele colocou em minhas mãos um bilhete, num guardanapo, que começava com meu nome escrito: “Jaiane”, (ele não prestou mesmo atenção no show!) nem quis ler. Agradeci e ele foi embora.
Mal sabia eu, que naquela noite estava com o coração desamparado e me deixei levar pela síndrome do pequeno poder, havia acalentado um coração tão desamparado quanto o meu e no bilhete dizia: “Quando o sofrimento da vida vier ao seu encontro, deixe rolar dos olhos uma lágrima e dos lábios um sorriso, pois não são covardes os que choram por amor e sim os que não amam por medo de chorar. Ass: Cláudio”.
Este bilhete viajou comigo de volta pra casa e está junto de todas as recordações de como encarar a vida com simplicidade de um ser humano igual a todos os outros, que eu pude recolher: Obrigada Cláudio!
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