
Aquele velho ditado popular que nos alerta: o sucesso incomoda muita gente, tem muito precedente quando se fala de Música Baiana.
Há muitos anos, os canhões da crítica musical, de cantores e músicos de estilos distintos estão apontados para o nosso “Axé Music”. Mas porque esse gênero genuíno da música popular brasileira é tão atacado? Por que contabiliza tantos desafetos?
Entender essa rejeição é algo complexo,mas vamos juntos tentar elucidá-la. A nova música baiana, nacionalmente conhecida como Axé, surgiu com o fenômeno Luis Caldas, que com seu Fricote e sua Nega do Cabelo Duro ganhou o Brasil. Na sequência, a Bahia vê nascer a primeira musa do estilo: Daniela Mercury, que levou o Canto da Cidade para os quatro cantos do mundo. Sem falar nos fenômenos Olodum, Reflexus, Banda Mel, Netinho, Asa de Águia, Chiclete com Banana, até chegarmos naquela voz grave, forte e afinadíssima da que considero a maior intérprete da música baiana e maior estrela nacional da atualidade: Ivete Sangalo.
O profissionalismo, a seriedade empresarial e o talento de todos esses artistas (e de outros tantos não citados aqui) fizeram nascer ao redor do Axé um estrutura comercial, um negócio muito rentável e sólido. A grande mídia abraçou o estilo e quando isso acontece, os recalcados e pseudo-intelectuais se sentem no direito de considerarem que tudo que é feito pra massa é ruim. É certo que o exagero na execução dos hits e o equívoco que acontece quando se confunde o pagode da Bahia(por muitas vezes apelativo nas letras e coreografias) com o Axé, provocam um certo desconforto. Afinal, tudo demais é veneno.
Em termos de música, NINGUÉM pode se achar o dono da verdade e determinar se esse ou aquele gênero é bom ou ruim. Gosto não se discute. A diversidade é que faz a música pulsar e alcançar a todos.
Atacar esse ou aquele gênero musical nunca vai democratizar os espaços de shows, as execuções nas rádios, a programação das Tvs. O Axé nunca usou o “denegrir para poder subir”. A música baiana se organizou, se fez rentável e respeitável comercialmente e NUNCA foi pobre musicalmente. Como em todos os gêneros, existem os mais preparados e os mais superficiais. Não concordo é com esse preconceito bobo de generalizar as coisas. Se, por exemplo, alguém mediano canta ou toca bossa nova, este seria mais musical do que um excepcional cantor de axé... Sai pra lá zica! O Axé é de Paz!
Adelmo Casé
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