

Baiana, cantora, compositora e atriz. Sandra Simões tem na família seu porto seguro, é uma pessoa de muita fé e tem como lema a frase “comigo ninguém pode”. Este ícone da cultura baiana conversou abertamente com o Portal Axezeiro, contando os altos e baixos da carreira musical e muito mais. Confira.
Portal Axezeiro: Cantar, compor e atuar. O que mais atrai a poli artista Sandra Simões?
Sandra Simões: Eu sou uma verdadeira arteira, adoro todas as artes e ponho arte em tudo que faço, mas a minha mais profunda paixão é cantar. Quando canto, vivo o momento presente com plenitude é como se eu mergulhasse no infinito. Sou completamente feliz quando canto.
PA: Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por uma cantora/produtora numa cidade [Salvador] dominada pelo monopólio do axé?
SS: O próprio monopólio. Em primeiro lugar, eu acho que o axé trouxe muitas conquistas para a nossa cidade. O Brasil e o mundo olharam pra gente com curiosidade e admiração e isso foi e é muito bom. A minha ressalva não é em relação ao axé, ou seja, ao gênero musical, mas à super valorização desse gênero em detrimento a outros segmentos da música que se faz aqui. A Bahia é a terra da diversidade. A música pulsa forte em nosso sangue. Em minha opinião, o que deveríamos valorizar é exatamente essa riqueza. A Bahia é mais que apenas um movimento musical, mais que um estilo. Aqui se faz rock, samba, axé, baião, jazz, blues, chorinho, MPB, música erudita, contemporânea, instrumental e tudo mais que a gente quiser. Por isso que esse monopólio não é inteligente. Mas eu enfrento essa dificuldade com garra e criatividade.
PA: Você se sente as vezes remando contra a maré, por fazer uma música alternativa? Sente necessidade de ir para o eixo Rio/São Paulo atrás do sucesso/reconhecimento almejado por muitos artistas?
SS: Essa palavra “alternativa” é interessante. Significa “a outra opção”? Ou, “uma segunda opção”? Ou ainda, “uma opção menor”? Eu não acho a minha música alternativa. Acho inclusive, que Salvador tem um público maravilhoso, um potencial fantástico para qualquer segmento musical e que a gente só tem que acreditar e trabalhar. O problema de Salvador não é público e sim espaço. Faltam espaços culturais nessa cidade. Casas de shows, mais teatros, espaços culturais, enfim. Essa menção à música, que não seja a adotada pela “indústria,” como música alternativa, depende do ponto de vista, se estivermos falando de público, é claro. Por enquanto eu quero ficar por aqui mesmo e tentar fazer a diferença, acreditando que a minha música tem o seu espaço aqui, na cidade que nasci e que inspira a minha arte. Mas isso não quer dizer que eu não deseje ganhar o mundo. Acho que a arte não tem fronteiras e quero ir, sim, aonde a minha música me levar.
PA: Cantar Caetano foi fácil?[Cite as liberações de suas canções]
SS: Cantar Caetano é antes de tudo, delicioso!! Pra mim é fácil porque é verdadeiro. Sempre ouvi Caetano a minha vida inteira. Está no meu imaginário, no meu subconsciente (rs). Cantando Veloso é um show que me dá muita alegria e é uma alegria que eu divido com muita gente também. Por exemplo, com Tonih Vinih, cantor, parceiro, que começou isso tudo comigo. Com Maurício Azevedo, violonista, arranjador, parceiro, que tem me acompanhado nessa feliz trajetória. Flávia Motta, produtora, parceira, que acreditou e apostou comigo nessa idéia. Difícil mesmo é escolher o repertório diante de tanta maravilha. Já cantei, nesses quatro anos de show, mais de 50 músicas da obra de Caetano. No meu CD, que está em fase de produção, tenho a honra de ter uma canção de Caetano.

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